terça-feira, 16 de abril de 2013

Redução da maioridade penal


A melhor solução?
Sempre quando ocorre um crime de grandes proporções cometido por um menor a discussão sobre a redução da maioridade penal vem à tona. 
Geralmente esses crimes são de extrema violência, chocam o país e são noticiados por semanas pela imprensa, que mostram passeatas pela paz, justiça, acompanhados por reivindicações da redução da maioridade penal.

Infelizmente esse é um tema de abordagem complexa, passional, pois envolve violência e sede de justiça. Quando o emocional toma conta da discussão, o cerne da questão deixa de ser debatido e medidas de impacto e repressão são lançadas como respostas rápidas aos crimes cometidos pelos menores.

Esse tipo de medida é paliativa e não resolve o problema da violência que está enraizada na sociedade brasileira desde o tempo da colonização, tendo em vista que nosso país foi uma colônia de exploração, concentradora de terras e renda, reprodutora de desigualdades sociais.


Bandeiras como essa são sedutoras e nos dão a falsa sensação de que o problema será resolvido, quando na verdade o contrário torna-se verdadeiro. Não é difícil encontrar defensores com palavras de ordem em favor da redução gritando aos quatro ventos – Esses menores tem mais que ir para cadeia, ou então, - Quem defende esses marginais nunca sofreu na mão deles. Discursos como esses refletem a cegueira motivada pela raiva e comoção provocadas pela violência bloqueando o entendimento de que o problema é muito maior do que a redução da idade penal.

Tal proposta não amenizaria o problema, tendo em vista que o sistema penitenciário brasileiro não funciona de acordo com a sua função de ressocialização, ao contrário disso, é um sistema que contribui com a violência, por suas péssimas condições e o domínio do crime organizado. Portanto, não seria uma solução correta amontoar menores nos já superlotados presídios.  

Mas afinal, o que fazer? Deixa-los impune? Cometendo barbáries e afrontando a sociedade? A resposta é não, mas é preciso se atentar que não se resolve um problema estrutural do dia para a noite. As políticas públicas precisam ser mais bem elaboradas e quando aplicadas necessitam ser geridas corretamente, para que não ocorra o desperdício de dinheiro público e corrupção.

Mas isso ainda não resolve o problema. Não, não resolve, existem questões fundamentais a serem trabalhadas para diminuir o impacto da violência, como o investimento massivo em educação básica e de qualidade, corrigindo erros históricos que levaram o ensino público ao caos, como a progressão continuada que reproduz anualmente fornadas de analfabetos funcionais contribuindo com a desigualdade social e aumentando a escala de violência.

Desigualdade social
Os que levantam a bandeira da redução não compreendem o problema da distribuição de renda no país, altamente concentrada e principal provedora da violência, desigualdade e miséria. A degradação da condição dos mais pobres é visível nas cidades, potencializado pelo Crack, droga utilizada como válvula de escape dessa juventude marginalizada, produto do próprio sistema.

Soluções devem ser encontradas, mas o primeiro passo é promover dignidade para as gerações de jovens que estão por vir, criar condições verdadeiras para que os erros do passado e do presente não sejam reproduzidos no futuro. Reduzir a maioridade penal é jogar a sujeira para debaixo do tapete.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

A vitória da integração latino americana

Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez

Pouco mais de um mês após a morte do presidente Hugo Chávez, em decorrência de um câncer, a Venezuela foi às urnas para eleger o seu sucessor. A disputa foi polarizada entre dois candidatos, o Chavista Nicolás Maduro e o oposicionista neoliberal Henrique Capriles.


A vitória de Maduro provou que o apelo popular deixado por Chávez referenciado pelas mudanças promovidas por ele ao longo dos seus 14 anos de mandato como presidente deram resultados.

Chávez trouxe novas significações no campo político, social e econômico a Venezuela, ganhando popularidade e notoriedade com suas ações para a população mais pobre. Em 1999, foi eleito democraticamente para ser presidente e neste mesmo ano convocou um plebiscito para criar uma nova constituição. Com o parlamento elaborou a constituição Bolivariana da Venezuela, baseado nos princípios revolucionários de Simón Bolívar, que lutou pela libertação da América então dominada pelos Espanhóis.
Constituição Bolivariana 

A nova constituição deu mais poderes para Chávez promover as mudanças contra a estrutura neoliberal arraigada por diversos governos ligados à classe dominante venezuelana, quebrando uma estrutura política e econômica que privilegiava os grandes latifundiários e empresários do petróleo.

Em 2002 a oposição neoliberal, apoiada pelos EUA promoveu um golpe de Estado que durou três dias, as manifestações populares e a lealdade de alguns militares a Chávez o trouxeram de volta a presidência. A tentativa de golpe poder ser vista no documentário do diretor Kim Bartley e Donnacha O´briain A revolução não será televisionada.



Chávez, no campo internacional polemizou por diversas vezes com os EUA como na conferência das Nações Unidas em 2007 no qual chamou o então presidente Americano George W. Bush de diabo e em 2008 expulsou o embaixador americano Patrick Duddy. As suas ações políticas e econômicas seguiram no sentido da soberania e integração da Venezuela na América Latina, expropriando todas as empresas petrolíferas e promovendo ampla reforma nos meios de comunicação como a criação da Telesur, televisão estatal de notícias e conteúdos culturais voltadas para a América Latina.  http://www.telesurtv.net/

A sua forte ligação com os governos de cunho socialista como da Bolívia (Evo Morales) e Cuba (Raul Castro) e as boas relações com países com governos progressistas como Brasil (Lula e Dilma), Argentina (Nestor e Cristina Kirchner),Uruguai (Pepe Mujica) e Equador (Rafael Correa) deu início a uma integração nunca experimentada na América latina, o país passou a integrar o MERCOSUL e novos acordos unilaterais, bilaterais e multilaterais foram realizados amadurecendo as relações entre os países latinos como o gasoduto do Sul que ligará a Venezuela até Argentina cruzando o Brasil, além de engavetar a ALCA (Área de livre comércio das Américas) projeto neoliberal idealizado pelos EUA e criação da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) em 2008.

Hugo Chávez foi amado por seu povo e odiado pelos seus opositores por conta de sua popularidade e principalmente por promover uma revolução em pleno século XXI, possibilitando uma alternativa ao modelo neoliberal, desigual e hegemônico das grandes potências mundiais coordenado pelos EUA.

Nicolás Maduro carregará em seu governo um novo conceito geopolítico, o Chavismo, e a partir de agora tem a difícil responsabilidade em dar curso à revolução bolivariana proposta por Hugo Chávez. A eleição de Maduro foi à vitória da integração latino americana.


domingo, 14 de abril de 2013

Uma nova janela se abre para o mundo cervejeiro no Brasil



A qualidade nas mercadorias é a materialização de uma vontade no qual os consumidores almejam atingir um bem estar, escolha, confiança e satisfação nos produtos. Com a cerveja não é diferente, nos últimos anos com a consolidação da economia brasileira, promoveu-se um acesso maior a cervejas mais elaboradas do que as costumeiras. Esse acesso fez com que uma gama de cervejas internacionais chegasse ao mercado brasileiro com marcas antes limitadas pela dificuldade do processo de importação tais como taxações alfandegárias, barreiras fitossanitárias que sempre foram um entrave para a entrada desses produtos no país, gerando um alto custo ao consumidor final.

Variedade de cervejas especiais
A entrada de novos tipos de cervejas no Brasil, mesmo que gradual fez com que o padrão de consumo da bebida no país ganhasse em qualidade e variedade. Atualmente, passeando pelas gôndolas dos hipermercados é possível encontrar diversas marcar de cervejas oriundas de países com tradições seculares em cervejas, como Alemanha, Bélgica, Holanda, República Tcheca, Irlanda, entre outros. Esse movimento fez com que o mercado nacional de cerveja se mobilizasse, surgindo pelo país milhares de micro cervejarias artesanais.
Com a inserção desses novos rótulos de cervejas, o brasileiro passou a experimentar uma variedade maior de tipos de cervejas, como as do tipo ALE que são fermentadas em alta temperatura (18-24 graus Celsius) mais fortes e encorpadas, com matérias-primas selecionadas e sem a adição de cereais não maltados como arroz e milho. O consumidor está aos poucos ficando mais exigente e compreendendo melhor o processo de produção da cerveja, promovendo harmonização com alimentos, colocando em xeque o padrão atual de cerveja brasileiro.
O tipo de cerveja mais consumido no Brasil é a PALE LAGER do sub-tipo AMERICAN STANDARD LAGER, são claras e refrescantes, fermentadas a baixa temperatura (9-15 graus Celsius). Esse tipo de cerveja é muito consumido pelo fato do país ter um clima quente. Mas e a Pilsen?  É comum ver nos rótulos das cervejas mais vendidas como Brahma, Skol, Itaipava a denominação tipo PILSEN, essa classificação é incorreta, pilsen é um sub-tipo do tipo pale lager ,criado na República Tcheca na cidade de Plzen (Pilsen em Português, possui um aroma mais amargo por ter maior adição de lúpulo.
Ein Prosit, der gemütlichkeit (Brinde em alemão)
Nos últimos anos houve um crescimento significativo por cervejas diferenciadas do padrão brasileiro standard lager. Novos tipos e sabores vêm aos poucos criando uma nova mentalidade para os consumidores, modificando a concepção de bebedor voraz para apreciador e degustador desse liquido milenar, aquela ideia de beber em grande quantidade para refrescar e se embriagar está perdendo espaço para um consumo mais consciente e da qualidade sem moderação.
Sejamos todos bem vindos a um novo mundo cervejeiro. Saúde!!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Bronca da "Dra." do SAMU de Piracicaba - SP


Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.  

Por volta do meio dia (31/05), depois de voltar do trabalho, o interfone de casa toca, era o entregador de gás. Com o botijão nas costas e cara de assustado me disse para ligar para o SAMU, pois havia um homem desacordado e ensanguentado na beira do rio. Acelerei o passo, apanhei o telefone e liguei para o 192. Enquanto caminhava até o sujeito explicava a situação para o atendente que anotou o endereço e transferiu a ligação para a médica, que me fez algumas perguntas sobre o estado do homem, relatei que estava desacordado, ofegante e com a boca sangrando, semelhante a um processo convulsivo, a doutora disse que a ambulância estava a caminho. Pacientemente o bom samaritano esperou por 10 minutos a chegada da ambulância observando o cidadão que suava muito e continuava desacordado. Nesse intervalo de espera ele acordou, troquei algumas palavras com o indivíduo que estava muito desorientado e assim ele se sentou. Quando a ambulância chegou fui ao meio da rua indicar onde estava o enfermo, o motorista deu a volta e entrou na estradinha de terra que beira o rio. Fui surpreendido pela médica e enfermeira que desceram me dando uma bronca homérica e eu sem entender fui ouvindo palavras que não imaginaria escutar em uma situação daquela. A médica ao ver o sujeito sentado e sem sequer atende-lo disse que eu tinha que prestar atenção ao chamar o serviço médico, porque alguém poderia naquele momento estar precisando daquela UTI móvel, que era a única da cidade e situações como essa era para chamar o serviço básico do próprio SAMU. Respondi para ela que não imaginaria o transtorno que eu havia causado, por ter chamado o serviço simplesmente porque me deparei com um sujeito desacordo, com a boca sangrando, alias não sou nenhum residente em medicina para diagnosticar a gravidade ou não de um sujeito estrebuchando no chão. Não tinha a miníma noção da existência de apenas uma UTI móvel em Piracicaba, aliás, não me lembro de ter pedido uma UTI móvel para o atendimento do cidadão. Reconheço e louvo o trabalho do SAMU, entendo o estresse cotidiano que os seus servidores passam, mas não acho correto uma médica, graduada, sabatinada e juramentada pela ética da medicina me repreender de maneira deselegante sem saber o que estava acontecendo. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O desrespeito com os artistas na Virada Cultural Paulista em Piracicaba



Material de divulgação da Virada Cultural Paulista-2012
A Virada Cultural Paulista é um evento que visa integrar a cultura em diversos tipos de manifestações artísticas como música, teatro, danças, exposições. O evento fomentado pelo Governo do Estado de São Paulo se espalha por diversas cidades do interior, no qual cada cidade tem a sua programação. Esse ano Piracicaba teve uma programação bem elaborada, com artistas consagrados da música popular brasileira com Simoninha e Max de Castro, Daniel Gonzaga, Marcelo Jeneci, Banda Glória e Mart´nália. 
Paralelo as "principais atrações", o palco 2 do Engenho Central, trazia os "filhos da terra", artistas consagrados de Piracicaba que  elevam o nome da cidade na região e no Brasil, tais como Julia Simões, Mazzaropi Contra o Crime, Banda Rio Grande, Juca Ferreira entre outros artistas que contribuíram para o acontecimento do evento.
Porém não contávamos com a falta de organização de um evento  "tão bem organizado".  Atrasos são toleráveis, falta de bom senso não. - No domingo 20/05 ocorreu atrasos nas apresentações musicais, prejudicando o horário das apresentações seguintes. A atitude tomada pelos organizadores para tentar solucionar o problema diminuiu o tempo da apresentação do palco 2 em beneficio das apresentações do palco 1.Tal atitude chegou ao extremo do desrespeito no ultimo show do palco 2 no qual apresentava-se o sambista Juca Ferreira, que estava marcado para as 17:30h e começou com mais de uma hora de atraso. O artista entrou no palco cantou menos de 10 minutos, quando de maneira abrupta e desrespeitosa o produtor invadiu o palco e pediu para parar o show com a alegação de que o show da Mart'nália estava para começar.  Em protesto o artista questionou a falta de respeito, de bom senso e a maneira autoritária desligaram o seu microfone, gerando indignação ao público presente.
Juca Ferreira- Sambista Piracicabano.
A virada Cultural Paulista de Piracicaba em 2012 nos deixou lições: Respeitar e valorizar o que é patrimônio cultural nosso.  Ano que vem, para que não ocorra esse tipo de indisposição a secretaria da ação cultural pode ser um pouco mais inteligente e pensar em logística mais adequada como colocar palco 1 e 2 em lugares opostos, afinal o Engenho Central é bem espaçoso.
Para finalizar outro ponto a ser questionado é o aproveitamento ilegal de um evento público para a venda de bebidas alcoólicas pelas barracas da festa das nações.  Além de preço elevado os produtos eram de apenas um fornecedor beneficiando o patrocinador de cerveja da Festa das nações e não da Virada Cultural, deixando o público sem opção de escolha, já que era proibido o ingresso de bebidas no evento público, ou seja, houve aproveitamento de um evento em proposição a outro. O que nos resta é lamentar e torcer para que ano que vem a secretaria da ação cultural tenha respeito com os nossos artistas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Breve análise dos 17 anos de PSDB em São Paulo e a relação do caso Pinheirinho e da lei do piso dos professores.

Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.
No dia primeiro de Janeiro de 1995 toma posse o então governador do Estado de São Paulo Mário Covas. Desde então já se passaram 17 anos em que o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) se apodera do Estado mais rico da nação e o mais conservador. Após Covas, passaram pelo palácio dos Bandeirantes Geraldo Alckmin por dois mandatos, José Serra que ficou pouco menos de uma mandato e novamente Geraldo Alckmin em 2011.
Esse breve resgate relembrando essa três figuras serve para analisarmos os interesses implantados por estes ao longo de seus mandatos. Nesse período o Estado passou pelo processo de sucateamento das instituições públicas tornando os sistemas estatais frágeis e mal geridos, tais como os sistemas: educacional, habitacional, segurança, saneamento básico entre outros tantos que nesses 17 anos foram sendo enfraquecidos com a política neoliberal tucana, que tem o principio básico da menor intervenção possível do Estado na Economia, consequentemente gerando uma grande reprodução de capital e concentração de renda para os que possuem os meios de produção, gerando sérios danos sociais para a população.

Tucano

Progressão continuada.
Nesses anos podemos elencar diversas ações controversas aplicadas por esses governantes, tais como o grande número de pedágios nas rodovias, lembrando que o filho do ex-governador Mário Covas é um dos acionistas da Autoban, concessionária que administra o sistema Anhanguera- Bandeirantes que interligam a capital ao interior. Também podemos recordar o sistema de progressão continuada na educação, no qual a presença do aluno na escola o qualifica para o seguinte ano letivo, bastando a frequência, sem qualquer tipo de avaliação da capacidade de aprendizado do aluno, devolvendo para sociedade milhões de analfabetos funcionais que quando muito servirão de exercito de reserva para a indústria. Outro ponto a ser relembrado é o da segurança pública, em 2006 os ataques e o terror do crime organizado nas ruas do Estado comprovaram a fragilidade do sistema, que sem conseguir controlar os distúrbios promoveu um acordo com a facção criminosa para que os ataques cessassem.
Os fatos abordados acima são apenas algumas das ações perversas praticadas por esse partido nesses 17 anos e servem de ligação para entendermos dois fatos importantes que estão ocorrendo atualmente no Estado de São Paulo que é o caso da reintegração de posse da comunidade Pinheirinho em São José dos Campos e da lei do 1/3 da jornada dos professores.
Mães correm com suas crianças.

O primeiro é a ação violenta e desnecessária da polícia sobre uma comunidade que ocupou uma grande área pertencente ao especulador financeiro Naji Nahas, que é acusado de diversos crimes contra a ordem econômica e um dos responsáveis pela quebra da bolsa de valores do Rio de Janeiro em 1989. A reintegração de posse foi feita de forma truculenta por nada mais, nada menos que 2.000 mil homens da polícia militar, que cumpriram a determinação de maneira covarde, provocando terror dentro da ocupação que tinha um grande número de mulheres, crianças e idosos. Do ponto de vista jurídico, político e social a reintegração de posse poderia ter sido feita através do dialogo, tanto que gerou um imbróglio entre o Tribunal de justiça Paulista que deu a ordem de reintegração com o Tribunal de justiça Federal que pediu anulação da reintegração.
Quem?
O segundo refere-se à lei federal do piso que prevê 1/3 da jornada de trabalho dos professores reservadas para os professores prepararem atividades extraclasse e se aprimorarem durante a carreira fazendo cursos como especializações, mestrado, doutorado, melhorando assim os recursos humanos e consequentemente a qualidade de ensino. Outro beneficio desta lei é em relação a saúde mental dos professores, tendo em vista a menor quantidade de tempo em sala de aula, diminuindo os afastamentos médicos, levando em consideração o estresse diário em sala de aula. Sabendo do beneficio dessa lei para o ensino público e a obrigatoriedade do cumprimento o governo de São Paulo de maneira sorrateira inventou uma nova jornada contando as horas aulas por hora relógio, ou seja, passou a contar as aulas por 60 minutos e não mais por 50 minutos como antes, acrescentando esses 10 minutos que “sobravam” para o intervalo em atividades extraclasse. Essa ação só evidenciou ainda mais o descaso do Estado de São Paulo pela educação pública, açoitando de todas as formas os professores e descumprindo uma lei federal e uma ordem judicial.
O que nos deixa preocupado nesses dois casos é o jogo de interesses promovidos em benefício de poucos e prejuízo da maioria. O Estado de direito não está sendo respeitado, as ações truculentas contra as manifestações populares tem se tornado uma constante, colocando em risco o Estado de direito democrático da população paulista.







domingo, 7 de agosto de 2011

Cinema de Domingo

Essa ideia surgiu no facebook onde posto as sextas-feiras “A Canja da Sexta” e a partir de hoje o “Cinema de domingo", espero que todos apreciem e aproveitem, critiquem, comentem, interajam...

E para estrear começamos com o cinema da melhor qualidade, homenageando um cineasta que revolucionou o cinema brasileiro, considerado por muitos como o pai do cinema novo com o conceito de uma câmera na mão e uma idéia na cabeça criou clássicos que nunca serão apagados da memória do cinema nacional, como Terra em transe e Deus e o diabo na terra do sol.

Para relembrar esse bravo cineasta esquecido e marginalizado no Brasil,  nesse mês de agosto 30 anos após a sua morte, a indicação cinematográfica é sobre Glauber, não sobre os seus filmes produzidos e sim sobre a sua história, um documentário muito bem produzido por Silvio Tendler em 2004 no qual nos trás momentos marcantes da vida e obra de Glauber Rocha.

Glauber o filme: Labirinto do Brasil é acompanhado como trilha sonora pelas Bachianas n 5 de Heitor Villa - Lobos que fizeram parte das obras de Glauber Rocha.

Bom filme!

Um abraço do tamanho do Brasil de Glauber Rocha!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A tragédia anunciada



Cidade inundada

A fúria e voracidade da natureza não aparecem gratuitamente. As tragédias corriqueiras nos verões brasileiros são anunciadas, causando dor, perdas e muita tristeza.

A racionalidade dos homens presume que se pode ter o domínio de tudo, inclusive da natureza. Grandes obras de Engenharia, como usinas e suas comportas, nos passam a sensação de que o domínio tecnológico supera a força da natureza. Os acontecimentos recentes, por todo o Brasil, provam que não.
Usina com as comportas abertas

O processo de urbanização ao longo do século 20, acompanhado da industrialização e do êxodo rural, fizeram com que as cidades crescessem de maneira desordenada, sem qualquer tipo de planejamento e gestão do território. Isso causou um efeito dominó, que perpassa estruturalmente pelo abandono do poder público com questões de infraestrutura, até a falta de consciência da população, que deposita seu lixo nos mananciais.

Com o crescimento desordenado das cidades, as áreas periféricas foram sendo ocupadas pela população mais pobre, que necessitava de habitação para encontrar condições de sobreviver no meio urbano. Áreas de preservação ambiental, encostas, várzeas, morros, ganharam características urbanas ao longo do tempo, sem as mínimas condições estruturais para receber as construções.

Encosta de morro ocupada
Além das ocupações irregulares, a impermeabilização do solo, com a instalação do asfalto e concreto, também fazem com que a água peça passagem e devaste o que encontrar pela frente. O leito dos rios, que antes das ocupações encontravam várzeas para se espraiarem, agora encontram ruas, carros, casas e fazem vítimas na tentativa de retomar seu espaço.

O poder público age de forma tácita em relação às ocupações irregulares, deixando que elas ocorram de maneira deliberada, dificultando posteriormente a retirada dessas pessoas, que ficam desabrigadas ou desalojadas. A inércia do Estado, aliada ao baixo nível econômico e educacional da população brasileira, preparam o palco para que a natureza seja a protagonista da tragédia anunciada.

Existem culpados? Sim, o poder público, porque é ele quem tem o dever de amparar toda a população atingida pelas cheias e quedas de encostas, seja em Piracicaba, Sumaré, Franco da Rocha, Petrópolis ou na próxima cidade que esteja condenada a mais um triste espetáculo causado pelos problemas sociais da ganância desordenada e destrutiva dos mandatários representados pelo poder público.

Kassab e Serra





 










sábado, 11 de dezembro de 2010

Homenagem ao centenário de nascimento do Poeta da Vila - Noel Rosa

Palpite infeliz, interpretada por Aracy de Almeida.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia Nacional do Samba

O dia 02 de dezembro é comemorado o dia nacional do samba. A data simbólica foi institucionalizada em 1963 pelo vereador da cidade de Salvador Luis Monteiro da Costa em homenagem a visita de Ary Barroso a capital baiana, uma justa homenagem a esse gênero musical que carrega consigo grande valor simbólico.

O texto a seguir é uma compilação da minha monografia de bacharelado do curso de Geografia, " Elementos das territorialidades do samba em Londrina",  no qual faço um resgate espaço-temporal da gênese do samba urbano carioca.

O samba é controverso em relação a sua gênese, alguns estudiosos sugerem que ele chegou da África, outros dizem que a sua gestação de deu no Rio de Janeiro no inicio do século XX, muitos sugerem que foi na Bahia, mais é evidente que as suas características são de matrizes africanas até a sua constituição no Brasil.

A palavra samba deriva do dialeto angolano (semba) que quer dizer umbigada, o (Sam) dar e (ba) receber. O samba no Brasil era caracterizado ainda apenas como dança de umbigada com elementos das religiões afro-brasileiras, foi muito praticado nas senzalas, nos arraiais, festas, quilombos.

A partir da população negra advindas principalmente da Bahia que o samba permeia no cenário urbano carioca, a migração dos baianos para o sudeste ocorreu a partir da revolta dos Maleses (negros mulçumanos) em 1835 na Bahia no qual vieram para a capital federal e para as fazendas de café do Vale do Paraíba no Estado de São Paulo, que diante da decadência do café, acabaram por migraram para o Rio de Janeiro.

Com a reforma Urbana no Rio de Janeiro as populações menos abastadas foram retiradas dos cortiços do centro da cidade e deslocadas para os morros e subúrbios o samba vai se consolidando de maneira mais efetiva na cidade nova especificamente na Praça Onze, onde morava uma certa baiana chamada tia Ciata, a designação tia vem pela relação que ela tinha com o Candomblé, religião afro-brasileira, na qual ela exercia a função de babalaô-mirim ( auxiliar direto do pai ou mãe de santo).

Toda a efervescência cultural na casa da tia Ciata faz eclodir o Samba no Rio de Janeiro, sendo o principal reduto a Praça Onze. A casa da tia Ciata tinha uma divisão estratégica, pois nesse período das primeiras duas décadas do século XX o samba era marginalizado, perseguido pela policia, por isso a casa era constituída com características um espaço de contra poder das autoridades.

A importância cultural que a casa da Tia Ciata exerceu na constituição do samba urbano fica evidente, pois foi de lá que saiu o primeiro samba gravado do Brasil “Pelo Telefone”, sendo motivo de muita discussão em relação ao seu registro. A grande questão é que os sambas eram produzidos de forma coletiva, ou seja, por todos que freqüentavam a casa.

O samba Pelo telefone fez muito sucesso no carnaval de 1917, sendo muito apreciado pelos foliões que freqüentavam os ranchos carnavalescos. A estrutura musical desse samba era amaxixado, fato também que gerou grande discussão se realmente o Pelo telefone é de fato samba, diferente dos sambas do Estácio de Sá, local do surgimento da primeira escola de samba que caracterizavam sambas sincopados.

Em todo esse contexto de formação do samba como gênero musical e de elementos culturais constituintes nas primeiras décadas do século XX, no que tange uma perspectiva hegemônica, oficial das autoridades de uma oligarquia no sentido de um governo de poucos, voltado para as políticas da classe dominante do Rio de Janeiro o samba era visto de maneira marginal, sendo perseguido, no qual os sambistas eram considerados vadios.
O malandro do inicio do século XX é uma figura simbólica, sempre andava alinhado, as suas vestimentas eram caracterizados por ternos e sapatos brancos além do chapéu de palha, seu instrumento de intimidação é a navalha, e a sua linguagem tem um poder argumentativo que o leva a convencer as pessoas que acabam caindo em seus golpes. Outra característica importante do malandro que deve ser salientada é a jogatina, por exemplo, o jogo de cartas, roletas, tampinhas, sempre apostando e trapaceando, além da boemia, no qual trocava o dia pela noite, cantava sambas e bebia, ganhava a vida nas custas de golpes.

A figura do malandro faz parte do universo do samba, o sujeito avesso ao trabalho formal, muitos sambas cantam as proezas feitas pelos malandros como, por exemplo, Se você Jurar, lenço no pescoço, acertei no milhar, além de outros sucessos.

A década de 1930 tem um elemento político significante na historia do Brasil, o Estado Novo que foi instituído em 1937. Dentro dessa nova perspectiva política de governo o samba ganha importância no sentido de que com grande apreço popular o Estado necessitava utilizar desse gênero para exaltar a nova política vigente no caso a exaltação ao nacionalismo.

Nesse período então presenciamos a criação de muitos sambas que exaltavam a nação e ao trabalho compactuando com as idéias do governo em exaltar o nacionalismo, sambas como Canta Brasil, Aquarela do Brasil, Eu trabalhei, com características ufanistas indo de encontro com as políticas governamentais. Diversos sambistas que compunham sambas de malandro, em alusão a vida desregrada de boemia passam a compor sambas exaltando o trabalho, a nação, sendo a figura do malandro regenerado. Muitos desses sambistas não compactuavam com essa exaltação a nação, porém faziam esses sambas, pois eram remunerados pelas canções compostas.

Na década de 1950 o samba influenciado por outros ritmos passa por algumas transformações, mais não perde a sua essência, pois mesmo se ramificando não se para de produzir sambas falando sobre o cotidiano, do morro, de mulheres, de trabalho, pois todo esse processo é relacional e acontece ao mesmo tempo.

A ramificação em questão é a bossa nova, caracterizada por muitos como novo gênero ela carrega fortes elementos do samba, porém ela é hibridizada com elementos do jazz.
A partir desta consolidação o samba permeia o século XX, apresentando para o Brasil poetas e ícones como Donga, Sinhô, Ismael Silva, Noel Rosa, Geraldo Pereira, Cartola, João Nogueira, Zeca Pagodinho e muitos outros, além de grandes figuras de sambistas paulistas como Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa e Quinteto em Preto e Branco, Osvaldinho da Cuíca, além de outros. Dessa forma, este gênero musical se disseminou, atraiu e conquistou outras classes sociais, deixando o status da marginalidade no inicio do século XX, alçando o estrelato, construindo-se, inclusive, como expressão da brasilidade para o mundo.

Na década de 1960 e 1970 o samba aparece com importância no aspecto político social do país, na perspectiva de um mecanismo de luta social e cultural, evidenciando assim a tese de que o samba não é apenas um gênero musical, e sim um fato social e cultural.

As rodas de samba ocorriam nos subúrbios e morros cariocas e a partir daí surgem interpretes importantes como Beth Carvalho conhecida como Madrinha do samba, Clara Nunes interpretando canções ligadas às religiões afro-brasileiras, resgatando os elementos simbólicos da cultura negra, João Nogueira que teve diversas parcerias com Paulo César Pinheiro, além de Paulinho da Viola com a sua intima ligação com a Portela, hoje são nomes familiares no cotidiano da musica popular brasileira, pois se consagraram através da vivencia do samba.

Na década de 1970 surgi também uma turma na zona norte do Rio de Janeiro mais especificamente no bairro de Ramos subúrbio carioca, que posteriormente na década de 1980 veio a ser conhecido como pagode de fundo de Quintal, ou neo-pagode, principalmente pela inserção de um novo instrumento musical nas músicas, o banjo.
Dessa turma saíram nomes importantes que hoje fazem sucesso no mundo do samba como o Grupo Fundo de Quintal que desde o seu surgimento lançou diversos integrantes na carreira artística do samba, como Jorge Aragão, Arlindo Cruz, além de outros que não participaram como integrantes do grupo mais que surgiram artisticamente nesse período com o movimento do cacique de Ramos, como Zeca Pagodinho e Almir Guineto.

A partir desta consolidação o samba permeia o século XX, apresentando para o Brasil poetas e ícones como Donga, Sinhô, Ismael Silva, Noel Rosa, Geraldo Pereira, Cartola, João Nogueira, Zeca Pagodinho e muitos outros, além de grandes figuras de sambistas paulistas como Geraldo Filme, Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa e Quinteto em Preto e Branco, Osvaldinho da Cuíca, além de outros. Dessa forma, este gênero musical se disseminou, atraiu e conquistou outras classes sociais, deixando o status da marginalidade.


LOVADINI, Mauricio. Elementos das Territorialidades do Samba em Londrina. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Geografia). CCE – Universidade Estadual de Londrina, 2009.

domingo, 28 de novembro de 2010

O conflito no Rio de Janeiro e os seus territórios

O ano de 2010 ficará marcado na história do Rio de Janeiro e do Brasil. As cenas de violência nos remetem a uma guerra civil que a tempo vem assolando a cidade Maravilhosa e aterrorizando os cariocas, dos humildes de complexos de favelas aos mais abastados da Zona Sul.

Os ataques dos criminosos correspondem a diversos fatos que fizeram com que o Rio de Janeiro chegasse a tal ponto, tornando o problema estrutural e cada vez mais difícil de resolver, crônico, desencadeado ao longo do século XX pela falta de ações e políticas públicas dos governantes.

A exclusão social, a Geomorfologia (forma do relevo) do Rio de Janeiro, a conquista de Territórios por poderes paralelos, a inserção das drogas, a falta de ações do Estado ou pequenas ações pontuais são elementos importantes para se compreender o que está acontecendo no Rio de Janeiro.

No inicio do Século XX o Rio de Janeiro passou por uma reestruturação urbana no qual o centro da cidade foi alterado arquitetonicamente, largas avenidas e bulevares foram construídos nos moldes de Paris, afinal a então capital do Brasil necessitava esteticamente ser apresentável para o mundo. Nessa reforma urbana cortiços (habitações de cômodos) eram ocupados por uma classe subalterna de migrantes de outras regiões do Brasil e negros alforriados, que diante desse processo foram marginalizados e expulsos da região central para os subúrbios cariocas.

As favelas surgem com essa população excluída do centro e por soldados regressos da guerra de Canudos que não receberam o soldo ao término do conflito e ocuparam o morro da Providência em outra área do centro da cidade, dando o nome de favela em alusão a vegetação da caatinga denominada favela encontrada no sertão nordestino.

Ao longo do século essa exclusão social se tornou mais latente, a cidade foi crescendo de maneira desordenada e à medida que a cidade se espraiava os morros eram ocupados pelos excluídos.

O relevo da cidade do Rio de Janeiro é formado por grandes maciços rochosos com elevadas altitudes e recortados por encostas de montanhas particularizando a geologia da cidade. A dificuldade e a falta de ações de infraestrutura (água encanada e tratada, rede de coleta esgotos somado a moradias precárias e baixas condições sociais, fizeram com que se formassem poderes paralelos para suprir as ações deficitárias do Estado, que por sua vez perdeu o domino desses territórios.

O Território são as relações de poder que se moldam a partir das estratégias de influência de grupos sociais ou indivíduos, modificando-se conforme a estratégia de controle dos sujeitos que tem o poder.
A partir da década de 1970 as drogas passam a fazer parte desses territórios marginalizados da sociedade, tendo um papel fundamental nas ações do poder paralelo existente em cada comunidade, é ela que vai dar o aporte financeiro e estrutural para que esses grupos se solidifiquem e dominem o território.

A droga é um problema social e de saúde pública, que atinge da classe mais baixa até o mais rico dos empresários, contribuem nesse ciclo de maneira decisiva para o financiamento dessa violência urbana e pelo domínio desses territórios, partindo de um pressuposto básico de que se não há consumidor não há fornecedor.

O domínio do território por grupos de criminosos vão ganhando mais elementos ao passar dos anos, a população de trabalhadores residentes nesses territórios se tornam reféns e ficam a mercê de ações de bandidos e policiais, população essa que perdem os seus filhos para o sedutor mundo do tráfico de dinheiro fácil e poder, padecem dia após dia com a ilusão de uma vida fácil, meninos que interrompem precocemente seus sonhos, no qual seus brinquedos são fuzis de uso restrito do exército.

O problema não será solucionado da noite para o dia, as ações do governo do Estado nos últimos anos instalando as UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) vêm se destacando e tendo um papel importante, aos pouco vem reconquistando o território perdido ao longo do tempo pela falta de ações sociais.

O crime organizado reagiu à perda de seus territórios aterrorizando os cariocas, ateando fogo em carros e ônibus, porém em uma ação conjunta entre Estado e Governo Federal a resposta foi a altura, nunca vista antes, Policiais Militares, Federais e Forças Armadas demonstraram que o Estado tem o poder de recuperar esses territórios.

A reconquista desses territórios é importante para uma reestruturação de ações sociais nessas comunidades assoladas pela violência e pela falta de condições sociais. O Estado precisa agir após as ocupações e desenvolver o bem estar social nessas comunidades, investindo em educação, saúde, esporte, músicas, entre outros investimentos para que essa população não volte a sofrer com a falta de políticas públicas e conseqüentemente ao poder paralelo. A batalha esta apenas começando.

sábado, 27 de novembro de 2010

A Música e o morro

Uma das maneiras de observar o morro por Ze Keti da Portela




Ascender as Velas (Zé Keti)

Acender as velas
Já é profissão
Quando não tem samba Tem desilusão
É mais um coração
Que deixa de bater
Um anjo vai pro céu
Deus me perdoe
Mas vou dizer
O doutor chegou tarde demais
Porque no morro
Não tem automóvel pra subir
Não tem telefone pra chamar
E não tem beleza pra se ver
E a gente morre sem querer morrer.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Professores se revoltam com mapa errado em livro

No dia dos professores não temos muito a comemorar, o que nos resta é respirar fundo e lutar sem armas contra uma estrutura de ensino sucateada, onde sempre os culpados são os professores.

O vídeo a seguir é um dos milhares de exemplos práticos da situação em que chegamos nas escolas públicas do Estado de SP geridas até então pelo governador José Serra postulante a presidência da república.






Nesse dia, cada pessoa que me desejou parabéns eu agradeci, mas logo em seguida sugeri que elas refletissem o papel da educação na formação social de cada individuo que virá a formar uma nação, qual país queremos?

sábado, 5 de junho de 2010

Ataque Sionista


Os últimos acontecimentos na geopolítica mundial nos alerta para o perigo de uma exaltação ao Sionismo. Sionismo: Movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado Judaico. É sempre muito delicado quando se fala sobre os judeus e o Estado de Israel, muito provavelmente o rótulo de anti - semita e até mesmo de Nazista assombrará quem ousar a proferir criticas ao povo do Monte Sião. É evidente que os acontecimentos da 2a Guerra Mundial no qual consta que a Alemanha Nazista de Hitler massacrou milhões de judeus em campos de concentração, respaldam e os qualificam a argumentarem a legitimidade da ocupação da “ terra prometida”, reavivando a ideia da Diáspora judaica dos tempos remotos 586 A.C quando os judeus foram expulsos pelo império babilônico, disseminando-se assim um grande número de judeus pelo mundo. Em 1948 a recém criada ONU (Organização das Nações Unidas) mediante a assembléia geral aprovou a criação do Estado Judaico de Israel, em território Palestino. A Palestina de 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabe-Palestina. Criou-se assim um conflito geopolítico permanente no século XX e XXI, passando por diversas guerras e conflitos como da Independência israelense, na qual os sionistas venceram o poderio Árabe e mantiveram as forças e construção do Estado de Israel em 1948. A guerra dos seis dias foi outro acontecimento que marcou a conflituosa e conturbada região do Oriente médio, quando os Egípcios sob o comando de Gamal Abdel Nasser pretendiam “expulsar os judeus para o mar”, porém com a aliança Inglesa e Francesa os Israelenses triunfaram sobro os egípcios e anexaram aos seu território o planalto de Golan que até então pertencia a Síria, Jerusalém Oriental cidade sagrada para ( Árabes, Judeus e Cristãos) o Deserto do Sinai e a faixa de Gaza pertencentes ao Egito. As duas guerras citadas acima foram acontecimentos que marcaram e até hoje refletem no barril de pólvora que se transformou o berço da civilização humana, outros conflitos aconteceram e novos líderes surgiram no decorer do século XX como as intifadas palestinas ( 1986 e 2000) revoltas populares com paus e pedras contra o Estado e os soldados israelenses e o líder da Autoridade Palestina Yasser Arafat, que morreu em 2004 como martir dos Árabes Palestinos. Tentativas de acordos de paz forma ensaiadas por diversas vezes entre Judeus e Árabes, sempre mediadas pelos EUA. Em 1993 na cidade de Oslo ( Noruega) o governo de Israel e o Presidente da OLP ( Organização para a libertação da Palestina), Yasser Arafat mediados pelo presidente dos Estados Unidos da América, Bill Clinton assinaram acordos que se comprometiam a unir esforços para a realização da paz entre os dois povos. Todo esse breve resgate histórico se faz necessário para entendermos o ataque israelense a flotilha de bandeira turca que tentava chegar até Gaza para levar ajuda Humanitária ao flagelado povo palestino, que sofre a mais de quatro anos com o bloqueio imposto por Israel que por sua vez justifica o bloqueio como forma de não fortalecer bélicamente o grupo islâmico Hamas. O brutal ataque a embarcação turca em águas internacionais no qual nove ativistas turcos foram assassinados gerou grande revolta pelo mundo, muitos países condenaram veementemente o ataque imposto pelos israelenses entre eles o Brasil. Por falar em Brasil, que recentemente intermediou junto com a Turquia um acordo internacional com o Irã muito criticado pelas potências ocidentais, e não foi bem aceito pelo Conselho de Segurança da ONU composto por EUA, França, Alemanha, Rússia e China). O acordo prevê troca de combustíveis nucleares sendo que o Irã enviará 1,2 tonelada de urânio com baixo grau de enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de 120 kg de combustível enriquecido a 20%.A troca deverá ter o acompanhamento da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da própria ONU). O grande receio é que o Governo de Mahmoud Ahmadinejad possa enriquecer Urânio a 90 % e produza em seus domínios territoriais a temida bomba atômica. O EUA é o grande critico desse acordo que foi uma tentativa do Brasil e da Turquia de amenizar as constantes acusações entre o governo de Washington e de Teerã sobre o programa nuclear Iraniano. O que o acordo entre Brasil, Turquia e Irã tem a ver com o ataque israelense a flotilha turca que navegava até Gaza com ajuda humanitária?. Além da proximidade Geográfica entre Irã e Israel no conturbado Oriente Médio e a proximidade dos fatos nos fazem a remeter a um comparativo a esses dois acontecimentos geopolíticos e de como eles foram tratados pelas potências mundiais. Vejamos: O acordo nuclear entre Brasil, Turquia e Irã, foi visto com ressalvas pelo Conselho de Segurança da ONU e criticado pelos EUA, obviamente que o Brasil não participou gratuitamente desse apoio, não é de hoje que o Brasil se esforça diplomaticamente para conquistar uma cadeira no conselho de Segurança da ONU, o governo Lula surpreendeu a todos quando colocou o Brasil como protagonista em um acordo de paz mundial, ponto para o Brasil. O que diferencia esses dois fatos é que eles foram vistos e classificados de maneiras diferentes, o ataque israelense foi classificado como incidente pelos Norte Americanos e o conselho de Segurança da ONU pediu uma investigação imparcial e não condenou a barbaria israelense. Os dois fatos se assemelham pela divergência de posições entre os líderes mundiais, a grande proximidade entre Israel e as potências ocidentais fez com que Israel se legitimasse com o ataque, gerando criticas veladas por parte das potências e da própria ONU, deixando claro que no tabuleiro do mapa mundi as forças hegemônicas estão bem estabelecidas e a partir de um simulacro regem o mundo promovendo conflitos onde haja interesses políticos e econômicos, seguindo essa cartilha ocidental judaico cristã devemos temer pelo eixo do mal.


sábado, 10 de abril de 2010

A situação dos Professores


A charge produzida por Maurício Ricardo demonstra de maneira humorada a situação na qual o professorado paulista e do Brasil de maneira geral se encontram. Não é novidade para ninguém que as coisas não andam bem para os lados da educação, são criadas políticas públicas educacionais cada vez mais defasadas para os princípios de uma educação de qualidade, o que podemos observar é que tais políticas são propostas para criarem e maquiarem números, estatísticas, gerando assim a falsa sensação de que vai tudo muito bem obrigado. Sabemos que não vai tudo muito bem, haja vista quando nós professores nos deparamos com situações cada vez mais desestimulantes no cotidiano escolar, como falta de respeito, mas condições de trabalhos, entre outros fatores que estão cada vez mais evidentes, e para finalizar recebemos o nosso holerite no qual constatamos o nosso atestado de pobreza.


sábado, 3 de abril de 2010

Sugestão Cinematográfica


A película QUERÔ dirigida por Carlos Cortez e baseado na obra de Plínio Marcos apresenta a realidade de um adolescente da baixada santista que desde o dia do seu nascimento esteve às margens da sociedade. Filho de uma prostituta que padece após ingerir querosene, o menino recebe o apelido de Querô. A trama dimensiona a realidade de muitos jovens brasileiros que tem os seus sonhos interrompidos pelas condições sociais no qual se encontram, marginalizados e sem chance de construir uma vida digna, nesse pano de fundo o jovem Querô é detido e passa a conhecer as estruturas perversas do sistema carcerário juvenil do Estado de São Paulo conhecida como FEBEM, hoje denominada de fundação CASA.

O cotidiano do adolescente nos faz refletir sobre uma realidade que é vista pela sociedade e ignorada, as políticas públicas que teoricamente ajudaria a sanar os problemas são ineficazes e esbarram na burocracia e corrupção, o tráfico de drogas exerce um poder paralelo sobre a juventude e o Crack termina por sepultar muitas vidas que nem sequer tiveram tempo de se desenvolver.

Evidentemente o problema é estrutural e está arraigado em um processo histórico que tem início desde a chegada dos portugueses com a espoliação das riquezas naturais, com o açoite aos negros no período imperial, com a baixa remuneração aos imigrantes nas lavouras de café no início da república, com o êxodo rural provocado por latifúndios e grilagem de terras e do desenfreado processo de urbanização a partir do desenvolvimento tardio das indústrias, das políticas de favorecimento as elites oligárquicas atualmente do capital financeiro orquestradas pelos governos brasileiros durante o século XX. Todos esses elementos citados acima refletem de alguma maneira o que vem a ser a estrutura econômica, política e social do Brasil atual, carregamos o estigma do subdesenvolvimento, recentemente fomos elevados ao título de país emergente, mais ainda nos encontramos nos corredores das emergências do Sistema Único de Saúde de uma metrópole ou de um vilarejo nos confins do Mato Grosso.
Todas essas reflexões nos fazem perceber que as estruturas estatais brasileiras estão falidas e sucateadas, haja vista os sistemas educacional, penitenciário, judiciário, saúde, legislativo, deixando a sensação de desamparo geral e as pessoas que mais sentem na pele esse abandono se encontram nas periferias.

Vivemos em um período onde a individualidade superou a coletividade, o “EU” se faz mais presente, gerando um grande coro: “o que é que eu tenho a ver com isso?”

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A banca do Distinto



Em meio à turbulência de uma greve para relaxar e não perder a essência cultural vamos relembrar um grande clássico da musica popular brasileira imortalizada por Elis Regina e composta por Billy Blanco que reflete a personalidade do truculento José Serra.

A Banca do Distinto
Não fala com pobre,
Não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho

A bruxa que é cega
Esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca

A vaidade é assim,
Põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto
Esperando sentada

Mais cedo ou mais tarde
Ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro,
Maior é o tombo
Do coco afinal

Todo mundo é igual
Quando a vida termina
Com terra em cima
E na horizontal

quinta-feira, 1 de abril de 2010

E a greve continua



E a greve continua, esse foi o final de mais uma assembleia dos professores realizada no dia 31/03 na Praça da República em São Paulo com cerca de 10 mil docentes, neste mesmo dia o então governador José Serra transmitiu o seu cargo para o seu vice Alberto Goldman para concorrer às eleições presidenciais, desta maneira deixou pra trás a greve dos professores para ser resolvida pelo seu vice, demonstrando assim o seu desprezo pelos professores.
A categoria decidiu pela continuidade da greve porque o truculento governo de São Paulo não aceita negociar com os professores, sendo intransigente ao extremo, não abrindo um canal de interlocução entre ambas as partes. Toda greve gera os seus desgastes, principalmente no que se referem aos dias descontados e o prejuízo do calendário escolar, as perdas em uma greve são inevitáveis e o que o governo mais quer é gerar esse desgaste para desunir a categoria dos professores, o governo deve estar ciente que não fraquejaremos em nossa luta até ocorrer a negociação. Nossas reivindicações já estão postas a mesa, só falta o governo querer negociar, se houver negociação a sociedade ganha, os professores ganham e o governo ganha, sem negociação a greve continuará até quinta-feira dia 08/04 quando fará um mês desde o inicio da paralisação das aulas, sendo que neste mesmo dia outra assembleia será realizada para decidir os caminhos da greve, esperamos que ela chegue ao fim desde que haja negociação, caso contrário a greve continua.
Um abraço